terça-feira , 21 novembro 2017
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Conceito de cidade inteligente precisa evoluir

 

Porto Alegre recebeu premiação ontem por ter ficado entre as 10 primeiras em ranking de 700 municípios brasileiros

Patricia Knebel

MARCO QUINTANA/JC

Maria Fernanda diz que prêmio reconhece que Capital é inovadora
Maria Fernanda diz que prêmio reconhece que Capital é inovadora

As cidades brasileiras ainda têm um longo caminho a percorrer se quiserem, de fato, serem consideradas inteligentes. É o que aponta um ranking elaborado pela Urban Systems, que avaliou mais de 70 indicadores. O Rio de Janeiro, que ficou em primeiro lugar, conquistou 29,9 pontos. “Não é nem a metade do máximo que poderia ser atingido, que é 63 pontos. Isso nos mostra que as nossas cidades ainda têm muito a avançar dentro desse conceito”, comenta o presidente da Urban Systems, Thomaz Assumpção.

Na manhã de ontem, foram entregues as premiações para as 10 cidades melhor colocadas no estudo, dentro da programação do Fórum Connected Smart Cities, que acontece em São Paulo. O vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, recebeu o troféu pelo nono lugar conquistado pela capital gaúcha. “O prêmio materializa uma série de esforços no sentido de instrumentalizar Porto Alegre de forma que a tecnologia trabalhe realmente a serviço do cidadão”, disse.

Entre as iniciativas da cidade no âmbito da tecnologia estão o Centro Integrado de Comando (Ceic), a abertura de dados, o desenvolvimento da rede de fibra ótica, a Lei Municipal de Inovação, o portal de startups e o incentivo à economia criativa. São ações que envolvem o POA Digital, a Procempa e Gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa). O coordenador do POA Digital, Thiago Ribeiro, comenta que iniciativas como essas atendem a cidade sob diversos aspectos, como saúde, educação e segurança. “Toda essa tecnologia se reflete em um melhor atendimento ao cidadão na medida em que a internet passa a chegar às escolas e podemos ter um melhor monitoramento da cidade e ações preventivas, como no caso das chuvas.”

A secretária Maria Fernanda Bermudez, da Inovapoa, diz que o reconhecimento colabora para dar visibilidade ao trabalho que vem sendo feito e cita a parceria da Prefeitura com a IBM, que proporcionou o desenvolvimento da plataforma #POAdigital e o Programa Cidades Resilientes, em parceria com a Fundação Rockefeller. “São exemplos de iniciativas que ajudam no reconhecimento da cidade como inovadora e conectada com os vários públicos de interesse”, diz.

O conceito de cidade inteligente ultrapassa as ações no âmbito da inovação e tecnologia. Dentro do estudo realizado pela Urban Systems, essa é apenas uma das 11 áreas avaliadas. “A tecnologia é cada vez mais importante, mas não adianta uma cidade ter linhas de ônibus com Wi-Fi se não tiver hospitais com leitos suficientes para atender a população”, comenta Assumpção. A empresa realiza, desde 2011, estudos sobre o desenvolvimento inteligente das cidades. “Sempre buscamos indicadores com foco na sustentabilidade e no entendimento de como a cidade evolui para se manter geradora de economia e renda.”

Também fazem parte do escopo do ranking a avaliação de áreas como de mobilidade e acessibilidade, energia, saúde, urbanismo, meio ambiente, educação, segurança, empreendedorismo, economia e governança. Foram 70 indicadores analisados, como empregabilidade, leitos em hospitais por habitante, banda larga popular, arborização, ciclovias, número de voos semanais, entre outros. Uma análise do ranking mostra que o indicador que mais favoreceu Porto Alegre foi o de meio ambiente. A Capital registrou 100% de atendimento de água, 89% de esgoto e um nível de arborização de 83% – a média nacional é de 67%. Por outro lado, três questões contribuíram para desacelerar a média: o baixo nível de atração de empresas, que leva a uma diminuição dos empregos; a taxa de homicídios muito alta; e a legislação de uso do solo, que é considerada confusa e, assim, dificulta o desenvolvimento dos empreendimentos. “São alertas para a cidade”, relata Assumpção.

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