quarta-feira , 22 novembro 2017
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Diretamente da Serra do Araripe, um simples exemplo de como a Inovação deve ser.

E é assim que tem que ser, ainda que possa contrariar aqueles que associam a presença da inovação junto a um cenário de maior complexidade e tecnologia. Mais que isso. Ainda bem que deva ser assim, pois nos permite entender a inovação como algo presente, efetivamente próximo de todos nós e o mais importante, simples.

Uma derivação do termo em latim Innovatio, a palavra inovação cabe dentro da simplória definição, tornar novo. Para isso, muito mais que qualquer questão que demande maiores complexidades, basta inserir uma nova característica aquilo sobre o qual se deseja este efeito.

Desta forma, fica claro que não haja a necessidade de maior amplitude para que a inovação se faça presente. Basta que seja notada por um pequeno grupo, para que ela seja recebida como tal. No passado, o impagável Drucker já tinha definido inovação como um meio para desenvolver uma potencial criação de valor, a geração de riqueza.

Estávamos nos meados dos anos 1980, mais precisamente em 1985, quando um jovem amazonense, Kako Caminha, um talentoso nadador, que estava no Rio de Janeiro disputando o Troféu Brasil, após assistir um jogo no Maracanã, resolveu comer um cachorro quente. No dia seguinte, já em Manaus, passou a apresentar os sintomas de botulismo, e menos de 24 horas depois veio a falecer. Segundo relatos da época, a salsicha do sanduíche estava contaminada pela bactéria clostridium botulinum.

Tal tipo de problema costuma estar presente em qualquer tipo de alimento de baixa qualidade, grupo pela qual a maioria dos “embutidos”, dentre os quais se destacam a salsicha e a linguiça costumam estar presentes. Por mais que, obviamente, existissem cuidados a serem tomados, de forma a evitar este tipo de problema, a ingestão de salsicha passou a ser algo proibido na minha e em tantas outras casas.

Como um exímio frequentador de estádios de futebol, sobretudo durante minha adolescência, passei a ignorar os famosos hot-dogs, que na capital amazonense, costumavam se chamar “kikão”. De férias em Fortaleza e juntamente com alguns primos, fui apresentado a uma nova iguaria presente nos estádios locais. Tratava-se de um sanduíche recheado com carne moída e coentro. A inexistência da salsicha me serviu de permissão para que consumisse aquela delícia que recebia o sugestivo nome de “cai duro”. Ao chegar de volta em casa, relatei à minha mãe quanto a nova lealdade ao simpático sanduíche. Pois é, não ficou claro para mim, porque ele também foi proibido. Mas imagino que o nome tenha, certamente, influenciado. Foram necessários mais alguns anos, para que pudesse entender tudo isso.

Em meados do ano passado, estava na simpática cidade pernambucana de Araripina, próxima a Exu, cidade natal do imortal Luiz Gonzaga, e de Juazeiro do Norte, do Padre Cícero, quando fui apresentado a uma novidade gastronômica. Ainda que para os locais não o fosse, um sanduíche que proporcionava o feliz casamento entre a salsicha, do cachorro quente, com a carne moída, do “cai duro”, juntamente com outros ingredientes que compõem a receita de Dona Maristela, me soou como um claro exemplo de inovação, em que pese a sua extrema simplicidade.

E é assim que tem que ser, ainda que possa contrariar aqueles que associam a presença da inovação junto a um cenário de maior complexidade e tecnologia. Mais que isso. Ainda bem que deva ser assim, pois nos permite entender a inovação como algo presente, efetivamente próximo de todos nós e o mais importante, simples.

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